Um casal que mora em São Paulo decide se casar em Alagoas. Outro, do Rio Grande do Sul, escolhe a Bahia. Nenhum dos dois tem raiz nesses lugares. É exatamente esse deslocamento que define o destination wedding, quem vem de outro estado ou até de outro país. O segmento hoje representa entre 10% e 15% dos casamentos realizados no Brasil, segundo dado do setor de turismo. À frente da assessoria pernambucana Requinte, a assessora Evandra Martins Bento vive essa transformação de perto. “Meu know-how em destination wedding é em lugares como Carneiros, Tamandaré, Serrambi, Porto de Galinhas, Sairé, Gravatá e Caruaru”, afirma. São casais que atravessam o país — e, às vezes, o mundo — só para dizer sim.

Segundo Evandra, fundadora e CEO da Requinte Assessoria e Cerimonial em Eventos, a confusão sobre o termo é comum. "Destination wedding é aquele casal que não mora aqui, é de outro lugar e pretende casar aqui. Ou alguém daqui que queira casar em outro lugar", explica ela. A assessora reforça que o conceito exige mudança de cidade, de estado ou até de país. A distância geográfica, portanto, separa um casamento comum de um destination wedding de verdade.

O apetite por esse formato acompanha o crescimento geral do setor. O mercado brasileiro de casamentos movimentou R$ 32 bilhões em 2025. A projeção sobe para R$ 37 bilhões em 2026, conforme estimativa da Abrafesta, a Associação Brasileira de Bares, Restaurantes e Empreendimentos de Entretenimento. Dentro desse universo, o Ministério do Turismo já identifica algo notável: entre 10% e 15% das cerimônias já acontecem fora da cidade ou do estado de origem do casal. É um salto que consolidou o destination wedding como tendência nacional — e não mais como capricho de poucos. O Rio de Janeiro, hoje líder do segmento, recebe cerca de 3 mil casais por ano. O ticket médio ali já chega a R$ 61 mil por cerimônia.

No Nordeste, dois destinos concentram a procura descrita por Evandra: Milagres, em Alagoas, e Trancoso, na Bahia. São Miguel dos Milagres já somou mais de 400 casamentos em dez anos, apenas na região conhecida como Capela dos Milagres. O ticket médio ali é de R$ 450 mil, e mais de 40% dos noivos vêm de São Paulo. Cada cerimônia movimenta, em média, 400 empregos diretos e indiretos entre hotelaria, gastronomia, beleza e transporte. Evandra confirma o fenômeno pela própria carteira de clientes. "Hoje está muito em alta Milagres, ainda mais o pessoal do Centro-Oeste", afirma.

Trancoso, por sua vez, atrai outro perfil de público. Recebe majoritariamente casais de São Paulo, de Goiás, de Minas Gerais e também do exterior. O clima tropical estável ajuda, assim como a proximidade com o aeroporto de Porto Seguro, a cerca de 30 quilômetros. Um casamento de médio porte no destino já parte de R$ 150 mil para 60 convidados. É lá, aliás, que a Requinte vai participar neste ano de um congresso internacional de destination wedding. O passo, segundo Evandra, prepara a empresa para atender também casais estrangeiros nos próximos cinco anos, com foco no público de alto padrão aquisitivo.

O crescimento do destination wedding também reconfigura a própria assessoria de eventos. Evandra, que hoje soma 18 anos de mercado, viu o perfil de cliente se sofisticar. O Brasil descobriu que casar longe de casa pode ser, ao mesmo tempo, cerimônia, viagem e experiência. É a mesma lógica, aliás, que explica outra tendência que a Revista Paradigma aprofunda na próxima matéria desta série: casamentos cada vez menores, às vezes com apenas duas pessoas diante do altar.

Fonte: entrevista exclusiva concedida ao Grupo Paradigma para Nomes que Honram Pernambuco Ed. 3. Dados de mercado: Abrafesta, Revista Zelo e Welcome Weddings.