Durante muito tempo, ouvi que um bom líder era aquele que entregava resultados. Hoje continuo acreditando nisso. A diferença é que aprendi que os melhores resultados nunca acontecem por acaso: eles são construídos por pessoas que se sentem respeitadas, valorizadas e parte de um propósito.

Na advocacia, trabalhamos diariamente sob pressão. São prazos, metas, clientes e decisões que exigem rapidez e responsabilidade. Em meio a essa rotina intensa, é fácil esquecer que, por trás de cada mesa, existe alguém vivendo uma realidade que muitas vezes não conhecemos.

Ao longo da minha trajetória na advocacia, compreendi que cada profissional carrega uma história invisível. Há quem esteja enfrentando o luto, desafios familiares, dificuldades financeiras ou problemas de saúde, sem que isso apareça em uma planilha de desempenho. Ignorar essa realidade pode comprometer não apenas o clima organizacional, mas também a qualidade das entregas.

Talvez por isso eu nunca tenha conseguido enxergar liderança apenas como distribuição de tarefas ou acompanhamento de indicadores. Sempre acreditei que liderar é conhecer as pessoas, ouvir antes de julgar, orientar quando necessário e criar um ambiente em que todos sintam que podem crescer.

A maternidade reforçou ainda mais essa forma de enxergar a gestão. Depois que me tornei mãe, passei a compreender ainda melhor que cada pessoa tem seu próprio tempo, suas dificuldades e suas potencialidades. Aprendi que acolher não significa ser permissiva, assim como cobrar resultados não significa deixar de lado a empatia. É possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Estudar temas como inteligência emocional, comunicação, segurança psicológica e desenvolvimento de equipes me mostrou que a liderança humanizada não é apenas uma característica pessoal. Ela é uma competência que pode — e deve — ser desenvolvida.

Humanizar a gestão não significa abrir mão da excelência. Pelo contrário. Pessoas que trabalham em um ambiente de confiança tendem a assumir responsabilidades, colaborar mais e entregar melhores resultados.

No fim das contas, processos podem ser aperfeiçoados e tecnologias podem ser substituídas. Pessoas, não. E acredito que esse será sempre o maior desafio — e também o maior privilégio — de quem escolhe liderar: nunca perder a capacidade de enxergar o ser humano antes do cargo, da função ou dos números. Afinal, organizações são feitas de pessoas, e são elas que transformam desafios em resultados.

* Daniella Costa é Gestora Jurídica na Bruno Vanderlei Advogados Associados, especialista em recuperação de crédito, com atuação em gestão estratégica de equipes. Pós-graduada em Direito Civil e Processo Civil, Pós-graduada em Execução cível, Pós-graduada em Direito Empresarial e MBA em Liderança e Gestão de Pessoas. Membro da Comissão de Direito Bancário e da Comissão da Mulher Advogada da OAB/PE.