A Experiência na Advocacia e na Magistratura
Eduardo Pugliesi chegou à magistratura com 21 anos de audiências no bolso. Com efeito, não se trata da experiência dos cursos de preparação, mas da vivência de um advogado que ouviu depoimentos em salas cheias. Dessa forma, aprendeu diante do cliente que o Direito do Trabalho não é apenas doutrina, pois é a vida de gente.
Essa travessia, de advogado trabalhista consolidado a desembargador do Tribunal Regional do Trabalho, é incomum. No entanto, ela se destaca não pelo destino alcançado, mas pelo volume da história que a antecedeu. Por duas décadas, o escritório fundado em 1995 com André Coutinho, Carlos Neves e Renato Canuto na Rua do Sossego foi o território onde a teoria encontrou o processo. Ali, o processo encontrou a pessoa. Essa formação bilateral, de quem conheceu as duas bancadas do mesmo salão, marca a postura de um juiz que sabe o peso de uma decisão para quem espera do lado de fora.
Referências de Ética e Integridade
A ética que carrega tem nome e sobrenome. Gilberto Marques Paulo e Egídio Ferreira Lima, que ele descreve como referências de honestidade absoluta no cenário jurídico pernambucano, não lhe ensinaram apenas a arte da causa. Em contrapartida, ensinaram a arte de não ceder e de recusar o atalho quando a integridade estava em jogo. Esse legado, recebido na fase de formação, atravessou duas décadas de advocacia e chegou intacto à toga.
O Ponto de Virada e a Urgência do Tempo
O ponto de virada não foi jurídico, mas físico e filosófico. Três stents, em 2004, reordenaram o que ele esperava da vida. O livro que escreveu a partir dali, “Três Stents e Uma Lição”, constitui também um tratado sobre urgência. A candidatura ao Quinto Constitucional, que “todo mundo achava loucura”, representou menos uma aposta e mais uma consequência. Quem compreendeu que o tempo não se alonga indefinidamente tende a usá-lo com mais deliberação.
Legado e Visão de Justiça no Tribunal
A Paradigma Jurídico saúda a trajetória de Eduardo Pugliesi pelo que ela vale: a de um operador do Direito que nunca confundiu segurança com estagnação. Acima de tudo, acumulou experiência não para se proteger dela, mas para renová-la. Desse modo, chegou ao tribunal com a disciplina de quem sabe que a melhor decisão não é a mais rápida, mas a mais honesta.

