No primeiro semestre de 2026, o INSS negou 4,3 milhões de pedidos e concedeu 4,2 milhões, segundo dados publicados pelo Correio Braziliense. Em outras palavras, a resposta mais comum do órgão passou a ser “não”. O advogado Bruno Vasconcelos Coutinho exerce a advocacia previdenciária a partir de Limoeiro, no Agreste pernambucano. Para ele, o número tem uma explicação que as planilhas não mostram. Boa parte da população chega ao INSS sem saber o que pedir, nem como.
“A grande população é desprovida de informação e de dinheiro”, afirma Coutinho, sócio-fundador do Vasconcelos Coutinho Advocacia. Na rotina do escritório, ele percebe que o problema raramente é complexo. “Quando a gente pega alguém doente, precisando de um apoio, até de uma informação besta… Pra gente é besta, porque a gente é técnico da área. Mas, para o outro, salvou a vida”, conta.
Foi essa assimetria que o levou ao interior. Recifense e formado em Direito pela UNINASSAU, Coutinho começou na área como estagiário do tio, o previdenciarista André Luís Vasconcelos. Logo percebeu que a demanda fora da capital era maior. “O interior tinha uma necessidade maior em relação à questão previdenciária, pela ausência de informação”, lembra. Em 2015, formalizou o próprio escritório em Limoeiro, município de 56,5 mil habitantes, segundo o IBGE.
A escolha da cidade teve lógica geográfica. Na descrição dele, Limoeiro funciona como “uma capital regional”. Para lá convergem moradores de Passira, João Alfredo, Surubim, Salgadinho e até Carpina. Nesses municípios, a previdência pesa mais do que em qualquer capital. Um levantamento do jornal Valor Econômico, repercutido pelo MAM, ajuda a medir esse peso. Em 2012, os benefícios do INSS já superavam os repasses do Fundo de Participação dos Municípios em 72% das cidades brasileiras. No interior do Nordeste, portanto, um benefício negado significa também menos dinheiro circulando no comércio local.
Quando a via administrativa falha, resta a Justiça. Em 2024, cerca de um milhão dos quatro milhões de benefícios concedidos saíram por decisão judicial. O dado é do CNJ, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário. O INSS, além disso, acumula quase 4,5 milhões de processos em tramitação. Na prática, um em cada quatro benefícios dependeu de um advogado e de um juiz. Entre o “não” do INSS e o “sim” da Justiça, a advocacia previdenciária se torna decisiva para quem não tem recursos.
O boca a boca fez o resto. “Um cliente indica o outro”, resume Coutinho. Como a base de clientes na capital cresceu, o escritório abriu um ponto de atendimento no Recife em 2025. Fica na Avenida Conde da Boa Vista, perto do Cinema São Luiz. Caruaru está nos planos. O desenho final, segundo o advogado, é um corredor que vai “do litoral ao Agreste”, com Limoeiro no centro.
A expansão, no entanto, não mudou o foco que ele considera central. Coutinho fala em “cliente externo e cliente interno”, expressão que usa para incluir a equipe na missão do escritório. Como Limoeiro tem uma faculdade de Direito, ele diz sentir um compromisso com a formação de novos profissionais da região. Muitos que passaram pelo escritório, relata, voltam para contar que a experiência foi um divisor de águas.
Para ele, esse é o traço que distingue a advocacia previdenciária dos demais ramos do Direito. “Você atua fazendo faturamento, porque sem dinheiro a gente não vive. Mas atua num ramo em que promove o bem”, diz. As negativas estão em alta, e a fila ainda soma 1,2 milhão de pedidos, segundo o IBDP. Por isso, o trabalho não deve diminuir. Na advocacia previdenciária praticada em Limoeiro, a informação continua sendo o primeiro benefício que o segurado do interior precisa receber.
Entrevista exclusiva concedida ao Grupo Paradigma para a Nomes que Honram Pernambuco Ed. 3. Dados verificados em: Correio Braziliense · IBDP/CNJ · IBGE.

