A pergunta que muitas organizações ainda evitam responder é simples: lucro às custas de quê? A sustentabilidade empresarial deixou de ser pauta de conveniência para se tornar condição de existência no mercado contemporâneo. Paul Polman, durante sua gestão na Unilever, foi preciso: “As empresas que não contribuem para um mundo melhor não terão mais um lugar nele.”
O conceito de desenvolvimento sustentável foi formalizado pela ONU em 1987 como aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras. Aplicado ao ambiente corporativo, esse princípio se traduz em três eixos concretos: ecoeficiência operacional, responsabilidade social e inovação que serve ao mercado sem exaurir os recursos que o sustentam.
Do lado ambiental, a urgência é objetiva. Estudos da Academia Brasileira de Ciências (2025) e do IPCC documentam que a Floresta Amazônica, as calotas polares e os sistemas hidrológicos operam sob pressão crescente. A superação dos pontos de inflexão planetários pode desencadear efeitos em cascata sobre biodiversidade, segurança hídrica e produção de alimentos. Ban Ki-moon resumiu: “A sustentabilidade ambiental não é uma opção, é uma necessidade para garantir a sobrevivência do nosso planeta.”
A interseção entre as duas agendas produz resultados mensuráveis: reputação sólida, redução de custos operacionais e acesso a mercados mais exigentes e capitalizados. O conceito de Limites Planetários, do Stockholm Resilience Centre, amplia essa lógica ao transformar o ESG de ferramenta de governança em instrumento de gestão de risco climático e geração de valor compartilhado.
Em Pernambuco, manguezais, estuários e áreas de carbono azul guardam biodiversidade, sequestram carbono e protegem comunidades costeiras. Conservar esses ambientes é, também, um ato de competitividade territorial. As organizações que incorporam esses critérios saem de uma posição reativa para uma posição estratégica, mais preparadas para os desafios regulatórios, climáticos e de mercado que se aproximam. Sustentabilidade, nesse registro, é estratégia de sobrevivência antes de ser agenda de boa cidadania.
* Carlos Queiroz é advogado; ambientalista e ativista ambiental; desenvolvedor de empreendimentos de impacto positivo; presidente do conselho de turismo da cidade do Paulista; conselheiro do meio ambiente da cidade do Paulista; presidente da comissão de direito ambiental da OAB seccional Paulista; presidente do comitê metropolitano norte da APAC - Agência Pernambucana de Águas e Clima; presidente do Museu do Caranguejo Vivo e fundador e CEO do restaurante Villa Píer Gourmet, o único do segmento que possui o Selo Verde, que reconhece empresas comprometidas com a preservação ambiental, eficiência energética e responsabilidade socioambiental.

